quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Língua Portuguesa e Literatura: Teoria versus Prática na formação de leitores

Por Suelen Regina



Alguns professores de Língua portuguesa procuram inovar o ensino do Português e da Literatura em sala de aula, com práticas pedagógicas diferenciadas, pois, aprende-se na Universidade que se deve dar prioridade à compreensão, à leitura, ao uso dos diferentes gêneros textuais durante as aulas. Porém o que se vê na maioria das escolas públicas é que a teoria não passa de teoria, e que a prática é deixada de lado.

O estudo da gramática é um dos problemas em sala de aula. Os professores têm dificuldade de abordar a gramática usando recursos paradidáticos, leituras, uso de gêneros. A gramática é dada através de fórmulas, que nada ajudam o aluno, só prejudicam o aprendizado da língua. Exercícios de aproveitamento, que deveriam ser dados através de discussão oral, são na verdade, apenas exercícios de revisão sobre o assunto. O que acontece com o aluno, é o contrário esperado: desinteresse pela aula, evasão escolar, revolta e falta de respeito com o professor.

Embora haja dificuldades, alguns professores procuram dar prioridade à compreensão de textos com os alunos, criam dinâmicas, propõem o uso do gênero teatro em trabalhos, do gênero entrevista com a explicação de obras literárias. Mas esbarram em outro problema, o desinteresse do aluno, já acostumado com um ensino antigo que não o faz crítico, leitor e escritor. Isso, muitas vezes, faz com que aquele professor inovador se detenha ao ensino antigo e tenha desestimulo profissional.

Segundo Caetano¹, “não se pode negar que é função da escola, como instituição formal, transmitir a herança cultural às novas gerações”. Mas o que se vê “na grande maioria das escolas é o contrário, percebemos a efetivação do ato de pseudoleitura, ou seja, leitura sem compreensão, sem recriação do significado, mais como um ato mecânico, sem preocupação com o interesse que emana da idade do leitor”. Assim como acontece na Literatura, acontece nas aulas de Português, há um descaso com a formação de alunos críticos e leitores. Até no ensino fundamental, a literatura é dada como parte da Língua Portuguesa, o aluno só tem contato com a literatura nas séries finais. Assim, não se dá o valor necessário ao estudo literário. A criança não tem contato com as diferentes obras, apenas com fragmentos dessas, que vem nos livros didáticos. E sendo apenas fragmentos, não proporcionam um entendimento correto da temática da obra.

Como mudança dos modelos tradicionais de ensino, os PCN’s estão abordando uma nova temática no estudo de Língua Portuguesa, “o processo de ensino/aprendizagem de Língua Portuguesa deve basear-se em propostas interativas língua/linguagem consideradas em um processo discursivo de construção do pensamento simbólico, constitutivo de cada aluno em particular e da sociedade em geral”. Priorizar a especificidade do aluno e deixar que “o estudo da gramática passe a ser uma estratégica para compreensão/interpretação/produção de textos e a literatura integre-se a área de leitura.”.

Para um bom ensino da língua portuguesa não se precisa de idéias preconcebidas, de uma única visão dada pelos livros didáticos, deve-se evidenciar que a escola é a fomentadora de leitores, e que não pode se prender ao ensino da gramática desvinculada do texto. O aluno tem que ser motivado, a escola tem que propor projetos que visem auxiliar esse aluno em dificuldade, mas não se pode esquecer que a equipe é escola/professor/aluno, sendo assim, nenhum dos “integrantes” pode ser deixado à margem do ensino.




¹ CAETANO, Santa Inês Pavinato. O Ensino de Literatura: deficiências e alternativas para mudar paradigmas. In: FLORÊS, Onici Claro (org.). Ensino de Língua e Literatura: alternativas metodológicas. CANOAS. Ed. ULBRA. 2001.

Um comentário:

amorim disse...

Todos procuram uma resposta referente ao porquê do a um leitor em potencial. Não academicamente