sábado, 13 de dezembro de 2008
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Poeta santareno
Felisbelo Jaguar Sussuarana
Em busca de alegria
Entra no bar, o passo tardo, e sonda
com mudo olhar a sala, a procurar
um pouco; e vai-se, após, triste, sentar
junto a uma branca sórdida e redonda.
Sorve depois a tóxica e hedionda
bebida predileta, e sem mirar
este que palra, aquele a gargalhar,
da dor busca olvidar a negra ronda.
E bebe, e bebe mais... E, assim, bebendo,
com ânsia, com furor vai-se esquecendo
das garras das desdita que o atrofia.
E, ébrio, é feliz e bela a vida sente.
e rindo com seu riso de inconsciente,
encontra, enfim, um pouco
Por Marcela Lima
Saiba mais um pouco sobre a vida deste poeta mocorongo
Foram seus pais Alexandre Alves da Silveira Sussuarana e Filomena Nóvoa Sussuarana. O poeta nasceu em Santarém a 28 de abril de 1891 e faleceu a 10 de outubro de 1942, em sua cidade natal. Ele iniciou seus estudos em Santarém e depois em Belém estudou até a terceira série ginásio.
Foi casado com Raimunda Miranda Sussuarana e com ela teve cinco filhos: José Maria, Edmir, Maria Madalena, Wladimir e Joana D Arc. Em segunda núpcias com Antônia Ceci Carvalho Sussuarana, que lhe deu seis filhos: Claudionor, Felisberto, Miriam, Renato, Jairo, e Emanuel.
Voltando a sua cidade natal, o escritor torna-se um autodidata, dominando vários campos de conhecimento como o da filologia, o da gramática. Na poesia ele doi romântico, parnasiano, simbolista e modernista. Para o teatro criou peças dramáticas: ”O Divino Martírio” e comédia “República das Saias” e revistas regionais “Seu libório”, “Eu vou Telegrafar”e “olho de Boto”.
Assim como o escritor Paulo Rodrigues dos Santos, Felisbelo preferia pseudônimo: Flávio Tapajós, Mane joão, Flavius, Vespa, Mundico Mlagueta, Índio Tupaiuna, Chico do Futuri e professor X.
O MERGULHO DE FELISBELO SUSSUARANA NO CLARO-ESCURO DO HOMEM E DA OBRA foi produzido por seu filho Felisberto Sussuarana, para comemorar o centenário de nascimento de seu pai. A produção foi editada pelo prefeito Ronan Liberal e lançada em 22/06/1991, quando Santarém festejava 330 anos de Fundação.
Felisbelo Jaguar Sussuarana foi homenageado pelo governador do Estado do Pará, que deu o nome do poeta a uma escola de segundo grau, inaugurada em 1980.
Foram seus pais Alexandre Alves da Silveira Sussuarana e Filomena Nóvoa Sussuarana. O poeta nasceu em Santarém a 28 de abril de 1891 e faleceu a 10 de outubro de 1942, em sua cidade natal. Ele iniciou seus estudos em Santarém e depois em Belém estudou até a terceira série ginásio.
Foi casado com Raimunda Miranda Sussuarana e com ela teve cinco filhos: José Maria, Edmir, Maria Madalena, Wladimir e Joana D Arc. Em segunda núpcias com Antônia Ceci Carvalho Sussuarana, que lhe deu seis filhos: Claudionor, Felisberto, Miriam, Renato, Jairo, e Emanuel.
Voltando a sua cidade natal, o escritor torna-se um autodidata, dominando vários campos de conhecimento como o da filologia, o da gramática. Na poesia ele doi romântico, parnasiano, simbolista e modernista. Para o teatro criou peças dramáticas: ”O Divino Martírio” e comédia “República das Saias” e revistas regionais “Seu libório”, “Eu vou Telegrafar”e “olho de Boto”.
Assim como o escritor Paulo Rodrigues dos Santos, Felisbelo preferia pseudônimo: Flávio Tapajós, Mane joão, Flavius, Vespa, Mundico Mlagueta, Índio Tupaiuna, Chico do Futuri e professor X.
O MERGULHO DE FELISBELO SUSSUARANA NO CLARO-ESCURO DO HOMEM E DA OBRA foi produzido por seu filho Felisberto Sussuarana, para comemorar o centenário de nascimento de seu pai. A produção foi editada pelo prefeito Ronan Liberal e lançada em 22/06/1991, quando Santarém festejava 330 anos de Fundação.
Felisbelo Jaguar Sussuarana foi homenageado pelo governador do Estado do Pará, que deu o nome do poeta a uma escola de segundo grau, inaugurada em 1980.
Em busca de alegria
Entra no bar, o passo tardo, e sonda
com mudo olhar a sala, a procurar
um pouco; e vai-se, após, triste, sentar
junto a uma branca sórdida e redonda.
Sorve depois a tóxica e hedionda
bebida predileta, e sem mirar
este que palra, aquele a gargalhar,
da dor busca olvidar a negra ronda.
E bebe, e bebe mais... E, assim, bebendo,
com ânsia, com furor vai-se esquecendo
das garras das desdita que o atrofia.
E, ébrio, é feliz e bela a vida sente.
e rindo com seu riso de inconsciente,
encontra, enfim, um pouco
Por Marcela Lima
Notícia
Bolsistas e voluntários de Extensão
Marcela Lima
A Coordenadoria de Extensão realizará uma reunião com bolsistas e voluntários de projetos de extensão da UFPA/Campus de Santarém.
A Coordenação de Extensão informa aos bolsistas e voluntários de projetos de extensão que na próxima quinta-feira (23/10/08), na sala 02, bloco I, às 15:00 horas realizará uma reunião, para tratar de questões referentes a 11ª Jornada Universitária de Extensão da UFPA/Belém. A 11ª Jornada de Extensão será realizada nos dias 11, 12 e 13 de novembro de 2008, no Campus do Guamá/Belém – PA.
A Coordenação de Extensão informa aos bolsistas e voluntários de projetos de extensão que na próxima quinta-feira (23/10/08), na sala 02, bloco I, às 15:00 horas realizará uma reunião, para tratar de questões referentes a 11ª Jornada Universitária de Extensão da UFPA/Belém. A 11ª Jornada de Extensão será realizada nos dias 11, 12 e 13 de novembro de 2008, no Campus do Guamá/Belém – PA.
Marcela Lima
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Poeta Santareno
Ruy Guilherme Paranatinga Barata
Este poeta representa a expressividade da poesia santarena.
Seus pais foram Alarico de Barros Barata e Maria José (Nova) Barata. Ruy nasceu no dia 25 de junho de 1920, em Santarém e faleceu no dia 23 de maio de 1990, em São Paulo, mas foi sepultado em Belém. Casou-se com Norma soares Barata com quem teve oito filhos: Maria Diva, Alarico Bruno, Ruy Antônio, Paulo André, Maria Helena, Maria Nazaré, Maria Inez e Cristóvão Jaques.
Ruy Guilherme atuou na área de advocacia, foi político (deputado estadual, trabalhou na câmara federal e suplente) e jornalista.
O escritor lançou alguns livros, citaremos dois: “Anjo dos abismos” e “Linha imaginária”.
Composições poéticas do autor: Breves considerações sobre o amanhecer, Canção dos 40 anos, Nativo de câncer (trechos), Pauapixuna, Salmo.
Um pouco de poesia de Paranatinga
Urgente
Música de Antônio Galdino
Urgente,
Urgentissimamente,
Numa estrela cadente,
Vou aí te buscar.
Ausente,
Dos teus braços ausentes,
Aprendi, novamente,
A saber perdoar.
Ardente,
Ardentissimamente,
Pretendi te esquecer.
Mas vi
Que meu verso demente,
Dementissimamente,
Só se nutre de ti.
Carente,
Como o chão da semente,
Enrolei a patente
De mulher sem senhor
E vou.
Vou na estrela cadente
Candentissimamente,
Acender teu amor.
Por Marcela Lima
Este poeta representa a expressividade da poesia santarena.
Seus pais foram Alarico de Barros Barata e Maria José (Nova) Barata. Ruy nasceu no dia 25 de junho de 1920, em Santarém e faleceu no dia 23 de maio de 1990, em São Paulo, mas foi sepultado em Belém. Casou-se com Norma soares Barata com quem teve oito filhos: Maria Diva, Alarico Bruno, Ruy Antônio, Paulo André, Maria Helena, Maria Nazaré, Maria Inez e Cristóvão Jaques.
Ruy Guilherme atuou na área de advocacia, foi político (deputado estadual, trabalhou na câmara federal e suplente) e jornalista.
O escritor lançou alguns livros, citaremos dois: “Anjo dos abismos” e “Linha imaginária”.
Composições poéticas do autor: Breves considerações sobre o amanhecer, Canção dos 40 anos, Nativo de câncer (trechos), Pauapixuna, Salmo.
Um pouco de poesia de Paranatinga
Urgente
Música de Antônio Galdino
Urgente,
Urgentissimamente,
Numa estrela cadente,
Vou aí te buscar.
Ausente,
Dos teus braços ausentes,
Aprendi, novamente,
A saber perdoar.
Ardente,
Ardentissimamente,
Pretendi te esquecer.
Mas vi
Que meu verso demente,
Dementissimamente,
Só se nutre de ti.
Carente,
Como o chão da semente,
Enrolei a patente
De mulher sem senhor
E vou.
Vou na estrela cadente
Candentissimamente,
Acender teu amor.
Por Marcela Lima
Conto: parte 2
Até hoje não sei o motivo de aquela senhora ter me procurado. E esse é um mistério que carregarei até o fim de minha vida. Mais isso, já não tem nenhuma importância. Depois que a velha saiu eu fiquei durante horas pensando a respeito de ter ou não a criança. Ficava imaginando como eu iria sustentar meu filho sem ter um emprego, porque ninguém me empregaria grávida. Ou mesmo onde nós iríamos morar, porque eu não conhecia nenhum outro parente que nos desse abrigo.
Mas por outro lado, sabia que o bebê não tinha culpa nenhuma e que eu não poderia responsabilizá-lo pelos meus atos. Existia alguma parte em mim que queria o bebê, talvez a mesma inocência que me fez acreditar naquele amor dos dezesseis anos. Quando pensava em ter meu filho nos meus braços eu ficava muito feliz a ponto de desistir daquela maldita idéia. Dos raros momentos que tive com Ricardo, ainda posso sentir seu cheiro e como ele era carinhoso. Talvez nós não soubéssemos o que estava nos acontecendo, afinal estávamos acometidos pelo primeiro amor. E a primeira paixão sempre carrega a inocência, a curiosidade a busca pelo desconhecido. As recordações que pude guardar do pai do meu filho foram poucas, pois foi apenas num único encontro que tudo aconteceu.
Foram os momentos mais tensos de minha vida. Apesar de ser uma menina, eu não queria que meu filho crescesse sem a presença de um pai, pois eu sabia bem o que significava não conhecer o próprio pai, ao menos ele teria uma mãe. E eu apesar de ter sido criada por familiares, na verdade nunca recebi carinho de um pai nem de uma mãe.
Eu ficava imaginando se o Ricardo voltasse, nós nos casaríamos e teríamos nosso filho e talvez muitos filhos e viveríamos naquela cidade até a nossa velhice. Mas tudo isso não passava de um sonho, pois eu sabia que nunca mais o veria de novo.
Ao anoitecer Dona Zica chega com as ervas e logo perguntou se tinha alguém em casa, eu disse que estava sozinha, pois meus tios tinham ido à igreja e só iriam chegar mais tarde. Ao ouvir essas palavras à velha foi imediatamente para cozinha para preparar o chá. E eu apressadamente lhe acompanhei. Ficava procurando as palavras de como lhe falar que eu havia desistido do plano. Eu achava essa palavra tão inescrupulosa para qualificar o que estava acontecendo, mas talvez eu fosse isso mesmo, pois nada justificaria minha escolha.
Chegando lá eu perguntei se ela precisava de ajuda. Ela respondeu dizendo que não, pois a receita era simples, bastava misturar todas as plantas, acrescentando água e depois colocar no fogo e num tempo de quatro horas a gororoba estaria pronta. E foi nesse momento que percebi que não se tratava de um simples chá.
Foi então quando tomei coragem para lhe falar que eu queria ter a criança. Dona Zica ficou espantada e disse que eu estava louca. Como eu poderia criar um bebê sendo tão ingênua e inexperiente. É que eu tinha sido enganada pelo primeiro calhorda que apareceu na frente e minha imaturidade só iria maltratar o bebê.
Ela ainda me chamou de ingrata, pois ela era a única pessoa que realmente estava tentando me ajudar. E que eu era muito ingênua para perceber que a vida não era tão simples como imaginava, pois eu ainda não tinha deixado de ser uma menina, inocente e indefesa. O mundo é cruel para todos, mas é mais cruel para os frágeis.
Depois de todo esse sermão eu resolvi ouvir os conselhos daquela velha senhora. Afinal ela era a única pessoa que me apoiava e que sabia do meu drama. Ela pediu que eu esperasse no quarto e que quando estivesse pronto ela levaria até lá.
Passadas algumas horas, Dona Zica chega com um litro cheio do líquido para eu tomar. Eu pedi a ela que deixasse em cima da mesa. Ela disse que ia embora porque não queria que meus tios a visse, e também que se eu precisasse de alguma coisa era só procurá-la na sua casa.
Depois que ela saiu eu comecei a sentir fortes dores. Eu deitei na cama e percebi que estava com hemorragia. Tia Diná e tio Casé tinham acabado de chegar da missa e ouviram meus gritos. Eles mandaram chamar uma amiga enfermeira da tia Diná. Ela disse que eu tinha perdido o bebê e que não precisavam se preocupar comigo, pois iria ficar bem.
Após esse episódio eu decidi ir embora para a cidade grande. E lá recomeçar minha vida.
Autora: Marcela Lima
Mas por outro lado, sabia que o bebê não tinha culpa nenhuma e que eu não poderia responsabilizá-lo pelos meus atos. Existia alguma parte em mim que queria o bebê, talvez a mesma inocência que me fez acreditar naquele amor dos dezesseis anos. Quando pensava em ter meu filho nos meus braços eu ficava muito feliz a ponto de desistir daquela maldita idéia. Dos raros momentos que tive com Ricardo, ainda posso sentir seu cheiro e como ele era carinhoso. Talvez nós não soubéssemos o que estava nos acontecendo, afinal estávamos acometidos pelo primeiro amor. E a primeira paixão sempre carrega a inocência, a curiosidade a busca pelo desconhecido. As recordações que pude guardar do pai do meu filho foram poucas, pois foi apenas num único encontro que tudo aconteceu.
Foram os momentos mais tensos de minha vida. Apesar de ser uma menina, eu não queria que meu filho crescesse sem a presença de um pai, pois eu sabia bem o que significava não conhecer o próprio pai, ao menos ele teria uma mãe. E eu apesar de ter sido criada por familiares, na verdade nunca recebi carinho de um pai nem de uma mãe.
Eu ficava imaginando se o Ricardo voltasse, nós nos casaríamos e teríamos nosso filho e talvez muitos filhos e viveríamos naquela cidade até a nossa velhice. Mas tudo isso não passava de um sonho, pois eu sabia que nunca mais o veria de novo.
Ao anoitecer Dona Zica chega com as ervas e logo perguntou se tinha alguém em casa, eu disse que estava sozinha, pois meus tios tinham ido à igreja e só iriam chegar mais tarde. Ao ouvir essas palavras à velha foi imediatamente para cozinha para preparar o chá. E eu apressadamente lhe acompanhei. Ficava procurando as palavras de como lhe falar que eu havia desistido do plano. Eu achava essa palavra tão inescrupulosa para qualificar o que estava acontecendo, mas talvez eu fosse isso mesmo, pois nada justificaria minha escolha.
Chegando lá eu perguntei se ela precisava de ajuda. Ela respondeu dizendo que não, pois a receita era simples, bastava misturar todas as plantas, acrescentando água e depois colocar no fogo e num tempo de quatro horas a gororoba estaria pronta. E foi nesse momento que percebi que não se tratava de um simples chá.
Foi então quando tomei coragem para lhe falar que eu queria ter a criança. Dona Zica ficou espantada e disse que eu estava louca. Como eu poderia criar um bebê sendo tão ingênua e inexperiente. É que eu tinha sido enganada pelo primeiro calhorda que apareceu na frente e minha imaturidade só iria maltratar o bebê.
Ela ainda me chamou de ingrata, pois ela era a única pessoa que realmente estava tentando me ajudar. E que eu era muito ingênua para perceber que a vida não era tão simples como imaginava, pois eu ainda não tinha deixado de ser uma menina, inocente e indefesa. O mundo é cruel para todos, mas é mais cruel para os frágeis.
Depois de todo esse sermão eu resolvi ouvir os conselhos daquela velha senhora. Afinal ela era a única pessoa que me apoiava e que sabia do meu drama. Ela pediu que eu esperasse no quarto e que quando estivesse pronto ela levaria até lá.
Passadas algumas horas, Dona Zica chega com um litro cheio do líquido para eu tomar. Eu pedi a ela que deixasse em cima da mesa. Ela disse que ia embora porque não queria que meus tios a visse, e também que se eu precisasse de alguma coisa era só procurá-la na sua casa.
Depois que ela saiu eu comecei a sentir fortes dores. Eu deitei na cama e percebi que estava com hemorragia. Tia Diná e tio Casé tinham acabado de chegar da missa e ouviram meus gritos. Eles mandaram chamar uma amiga enfermeira da tia Diná. Ela disse que eu tinha perdido o bebê e que não precisavam se preocupar comigo, pois iria ficar bem.
Após esse episódio eu decidi ir embora para a cidade grande. E lá recomeçar minha vida.
Autora: Marcela Lima
Conto: parte 1
Quando eu era uma menina
Eu morava numa cidade pequena, pacata e solitária. Lá moravam poucas pessoas. A vila era constituída basicamente pela igreja e por uma praça. Há, tinha uma escola que eu estudava que se chamava Santiago dos Reis. Nessa época eu devia ter uns dezesseis anos e morava na casa dos meus tios, meus pais haviam morrido quando ainda era criança e por isso não guardava nenhuma recordação deles.
Não lembro de muita coisa, pois à distância ou o tempo às vezes nos fazem esquecer coisas que nos fizeram sofrer. Afinal já faz muito tempo e hoje sou apenas uma garota mulher que se recorda de um passado que um dia foi um presente triste.
Tinha um garoto na escola por quem eu era apaixonada, ele era um pouco magro e tinha os olhos grandes e cabelos claros, não sei bem ao certo, mas o garoto aparentava ter menos de vinte anos.
Eu era muito menina nunca havia namorado e talvez não soubesse nem o que era beijar. Naquela época as famílias não conversavam em casa com seus filhos sobre esses assuntos. Talvez eles passassem uma educação que seus pais lhe deram e não percebiam que a vida e o tempo nunca são o mesmo.
O rapaz de olhos graduados se chamava Ricardo. A primeira vez que nos encontramos foi atrás da escola. Lá foi também meu primeiro beijo.
No outro dia quando fui procurá-lo na escola soube que ele tinha ido embora para outra cidade, pois seus pais o tinha transferido para uma escola de mais prestígio que aquela. Depois daquele encontro sabia que nunca mais o veria, pois sabia que o meu destino estaria preso àquela velha cidade.
Algumas semanas se passaram e eu me sentia como se estivesse doente, mas o que me afligia eram apenas saudades. O meu quarto era escuro e pequeno. Nele só tinha uma cama e alguns quadros meus. Naquele tempo eu gostava de pintar, talvez porque eu fosse apenas uma garota.
Não tinha nenhum médico que morasse na vila, por isso eu tinha que esperar todo mês a visita do doutor Sião. Ninguém sabia o que eu tinha. Sentia enjôos, e muito sono e a minha menstruação fazia dois meses que não vinha.
No mês seguinte o médico disse que eu estava grávida. Tia Diná e tio Casé quiseram me bater, mas não podiam se não matariam meu filho. Desde desse dia não sai mais do quarto, pois não tinha coragem de enfrentar as pessoas na rua. Uma vez sai para comprar um chocolate e uma senhora me apontou o dedo como se eu fosse uma criminosa.
A partir daí não tinha mais forças para viver. Meus tios haviam me dito que eu só ficaria na casa até o bebê nascer e depois eu teria que procurar outro local para morar, pois sua casa não aceitava filho de mulher solteira.
Eu não podia nem mais pintar, pois a tinta poderia fazer mal para a criança. Certo dia eu recebi a visita de uma senhora que aparentava já ser de idade. Nesse dia eu estava só em casa. A primeira coisa que lembro dela é o seu nome, ela se chamava dona Zica. Eu já tinha ouvido falar sobre ela. A maioria das pessoas não gostava dela, porque diziam que ela era uma velha curandeira e que ela tinha contato com os espíritos.
Uma da muitas histórias que o povo comentava foi que certa vez um homem chegou a sua casa e pediu que ela lhe ajudasse a descobrir que doença tinha sua filha. A velha passou umas ervas e disse que a menina iria se curar caso tomasse aquele remédio. E foi o que aconteceu.
Quando ela chegou ao meu quarto foi logo me perguntando se eu queria o bebê. Eu respondi dizendo que estava meio confusa, pois não sabia como iria criar a criança, pois não tinha apoio da família e o pai da criança tinha ido embora e eu não tinha como entrar em contato com ele.
Dona Zica me disse que sabia o que fazer para que eu não tivesse o bebê. Então, ela me indicou umas plantas e disse o local onde eu poderia comprá-las, e que se eu quisesse, ela poderia ir comprar e preparar o chá para mim. Eu não sabia o que responder, mas no impulso disse a ela que aceitava.
Quando olhei no relógio já era quase à hora do almoço e pedi a senhora que fosse embora, pois meus tios viriam para casa. A velha saiu e disse que quando voltasse já traria as ervas e que eu não precisava me preocupar quanto ao dinheiro, porque ela conhecia um senhor que poderia lhe fornecer a planta sem precisar pagar, pois o homem lhe devia uma dívida.
Autora: Marcela Lima
Eu morava numa cidade pequena, pacata e solitária. Lá moravam poucas pessoas. A vila era constituída basicamente pela igreja e por uma praça. Há, tinha uma escola que eu estudava que se chamava Santiago dos Reis. Nessa época eu devia ter uns dezesseis anos e morava na casa dos meus tios, meus pais haviam morrido quando ainda era criança e por isso não guardava nenhuma recordação deles.
Não lembro de muita coisa, pois à distância ou o tempo às vezes nos fazem esquecer coisas que nos fizeram sofrer. Afinal já faz muito tempo e hoje sou apenas uma garota mulher que se recorda de um passado que um dia foi um presente triste.
Tinha um garoto na escola por quem eu era apaixonada, ele era um pouco magro e tinha os olhos grandes e cabelos claros, não sei bem ao certo, mas o garoto aparentava ter menos de vinte anos.
Eu era muito menina nunca havia namorado e talvez não soubesse nem o que era beijar. Naquela época as famílias não conversavam em casa com seus filhos sobre esses assuntos. Talvez eles passassem uma educação que seus pais lhe deram e não percebiam que a vida e o tempo nunca são o mesmo.
O rapaz de olhos graduados se chamava Ricardo. A primeira vez que nos encontramos foi atrás da escola. Lá foi também meu primeiro beijo.
No outro dia quando fui procurá-lo na escola soube que ele tinha ido embora para outra cidade, pois seus pais o tinha transferido para uma escola de mais prestígio que aquela. Depois daquele encontro sabia que nunca mais o veria, pois sabia que o meu destino estaria preso àquela velha cidade.
Algumas semanas se passaram e eu me sentia como se estivesse doente, mas o que me afligia eram apenas saudades. O meu quarto era escuro e pequeno. Nele só tinha uma cama e alguns quadros meus. Naquele tempo eu gostava de pintar, talvez porque eu fosse apenas uma garota.
Não tinha nenhum médico que morasse na vila, por isso eu tinha que esperar todo mês a visita do doutor Sião. Ninguém sabia o que eu tinha. Sentia enjôos, e muito sono e a minha menstruação fazia dois meses que não vinha.
No mês seguinte o médico disse que eu estava grávida. Tia Diná e tio Casé quiseram me bater, mas não podiam se não matariam meu filho. Desde desse dia não sai mais do quarto, pois não tinha coragem de enfrentar as pessoas na rua. Uma vez sai para comprar um chocolate e uma senhora me apontou o dedo como se eu fosse uma criminosa.
A partir daí não tinha mais forças para viver. Meus tios haviam me dito que eu só ficaria na casa até o bebê nascer e depois eu teria que procurar outro local para morar, pois sua casa não aceitava filho de mulher solteira.
Eu não podia nem mais pintar, pois a tinta poderia fazer mal para a criança. Certo dia eu recebi a visita de uma senhora que aparentava já ser de idade. Nesse dia eu estava só em casa. A primeira coisa que lembro dela é o seu nome, ela se chamava dona Zica. Eu já tinha ouvido falar sobre ela. A maioria das pessoas não gostava dela, porque diziam que ela era uma velha curandeira e que ela tinha contato com os espíritos.
Uma da muitas histórias que o povo comentava foi que certa vez um homem chegou a sua casa e pediu que ela lhe ajudasse a descobrir que doença tinha sua filha. A velha passou umas ervas e disse que a menina iria se curar caso tomasse aquele remédio. E foi o que aconteceu.
Quando ela chegou ao meu quarto foi logo me perguntando se eu queria o bebê. Eu respondi dizendo que estava meio confusa, pois não sabia como iria criar a criança, pois não tinha apoio da família e o pai da criança tinha ido embora e eu não tinha como entrar em contato com ele.
Dona Zica me disse que sabia o que fazer para que eu não tivesse o bebê. Então, ela me indicou umas plantas e disse o local onde eu poderia comprá-las, e que se eu quisesse, ela poderia ir comprar e preparar o chá para mim. Eu não sabia o que responder, mas no impulso disse a ela que aceitava.
Quando olhei no relógio já era quase à hora do almoço e pedi a senhora que fosse embora, pois meus tios viriam para casa. A velha saiu e disse que quando voltasse já traria as ervas e que eu não precisava me preocupar quanto ao dinheiro, porque ela conhecia um senhor que poderia lhe fornecer a planta sem precisar pagar, pois o homem lhe devia uma dívida.
Autora: Marcela Lima
sábado, 18 de outubro de 2008
Notícia
Vestibulinho 2008
A prova do Processo Seletivo à Mobilidade Acadêmica Externa 2008 (Vestibulinho) será realizada no dia 21/12/08.
A Universidade Federal do Pará disponibiliza 147 vagas em 61 cursos, tanto na capital quanto no interior do estado para o Processo Seletivo à Mobilidade Acadêmica Externa 2008, conhecido como “Vestibulinho”. O prazo de encerramento de inscrições para isenção de matrícula terminará na quarta-feira (23/10/08). O candidato interessado em conquistar a isenção da taxa de matrícula terá que declarar e confirmar a hipossuficiência financeira. O candidato ganhará a isenção, caso apresente renda familiar de até metade do salário mínimo. A divulgação da lista de isentos será no dia 28/10/08, no site do CEPS – Centro de Processos Seletivos da UFPA.
As inscrições regulares para o vestibulinho começarão a partir das 10 h do dia 04/11/08 e vão até às 22h do dia 20/11/08. O valor da inscrição é R$ 75,00 e será feita somente via Internet. Podem fazer o concurso, os estudantes graduados ou aqueles que ainda estão cursando o ensino superior.
A prova será realizada no dia 21 de dezembro de 2008 e será composta por 40 questões de múltipla escolha conforme a área do conhecimento do curso pretendido e uma redação. Há cinco áreas do conhecimento descritas no edital: As ciências Exatas e da Terra, Ciências da Vida e da saúde e Ciências das Humanidades I, II e III.
Os estudantes interessados em fazer sua inscrição ou consultar o conteúdo programático e o edital do vestibulinho podem pesquisar no site www.ceps.ufpa.br.
Marcela Lima
A prova do Processo Seletivo à Mobilidade Acadêmica Externa 2008 (Vestibulinho) será realizada no dia 21/12/08.
A Universidade Federal do Pará disponibiliza 147 vagas em 61 cursos, tanto na capital quanto no interior do estado para o Processo Seletivo à Mobilidade Acadêmica Externa 2008, conhecido como “Vestibulinho”. O prazo de encerramento de inscrições para isenção de matrícula terminará na quarta-feira (23/10/08). O candidato interessado em conquistar a isenção da taxa de matrícula terá que declarar e confirmar a hipossuficiência financeira. O candidato ganhará a isenção, caso apresente renda familiar de até metade do salário mínimo. A divulgação da lista de isentos será no dia 28/10/08, no site do CEPS – Centro de Processos Seletivos da UFPA.
As inscrições regulares para o vestibulinho começarão a partir das 10 h do dia 04/11/08 e vão até às 22h do dia 20/11/08. O valor da inscrição é R$ 75,00 e será feita somente via Internet. Podem fazer o concurso, os estudantes graduados ou aqueles que ainda estão cursando o ensino superior.
A prova será realizada no dia 21 de dezembro de 2008 e será composta por 40 questões de múltipla escolha conforme a área do conhecimento do curso pretendido e uma redação. Há cinco áreas do conhecimento descritas no edital: As ciências Exatas e da Terra, Ciências da Vida e da saúde e Ciências das Humanidades I, II e III.
Os estudantes interessados em fazer sua inscrição ou consultar o conteúdo programático e o edital do vestibulinho podem pesquisar no site www.ceps.ufpa.br.
Marcela Lima
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