sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Olho de Boto realiza seminário sobre os Gêneros do Jornal



Por Aulenice Ferreira

No dia 13 de junho a Coordenação e o Corpo Editorial do Jornal Olho de Boto da UFPA realizaram, no Auditório Wilson Fonseca, o Seminário Gêneros do Jornal: Funcionamento, Veiculação e Pesquisa. Estiveram participando acadêmicos, professores da Universidade Federal do Pará e alunos de outras instituições de ensino superior da área de jornalismo. Na avaliação do Coordenador do Jornal, Heliud Luís Maia, o evento foi muito produtivo.
O Seminário ocorreu pela parte da manhã e tarde. Foram discutidos os mais diversos temas e assuntos acerca do jornal impresso e da mídia. Dentre os palestrantes estiveram presentes João Georgios Ninos, Manuel Dutra, Ormano Souza, jornalistas e o Professor Odenildo Sousa. Acadêmicos e professores fizeram questionamentos acerca dos temas discutidos, foram enfatizados assuntos sobre reportagem, notícias, a função social e o papel do jornalista na sociedade.
Pela manhã, O Professor Doutor em Jornalismo Manuel Dutra discutiu sobre a estrutura composicional do jornal e o trabalho do jornalista na sociedade, em seguida, o palestrante Georgios Ninos destacou alguns problemas da área jornalística de alguns jornais que veiculam notícias pela cidade e os cuidados que se deve ter ao divulgar informações. Pela parte da tarde, o professor Especialista Ormano Souza iniciou o evento palestrando sobre a reportagem, o evento encerrou com a participação do Professor Mestre Odenildo Souza que comentou acerca dos contrapontos e interseções entre a Literatura e Jornalismo.
O Coordenador do Jornal Olho de Boto acredita que eventos desse tipo devem ser realizados com finalidade de se levantar uma discussão acadêmica e é de grande importância que as universidades estejam realizando seminários como forma de oportunizar aos estudantes e professores da UFPA e outras instituições de ensino de superior conhecimentos e informações relevantes para a formação acadêmica.


quinta-feira, 5 de julho de 2007

A importância do Desenvolvimento Sustentável


Por Paula Galvão

Desde que se deu conta de sua existência, o homem sempre tentou modificar seu ambiente na busca incessante de melhorar sua qualidade de vida. Para isso, utilizou meios que, a princípio, não prejudicariam seu ambiente natural. Mal imaginara o homem do passado, que suas “práticas modificadoras” tornar-se-iam heranças para o homem do futuro, heranças estas não muito positivas, quando nos referimos ao meio ambiente.
Com o desenvolvimento tecnológico da atualidade, o homem tornou-se o centro do mundo, principalmente quando passou a ganhar dinheiro com isto. Hoje, empresas, de diversas localidades, enriquecem as custas da degradação ambiental, como as graneleiras.
Foi pensando na preservação ambiental, em meio a tantos desastres ecológicos, que surgiram órgãos em prol do meio ambiente. Na busca pela salvação do planeta, cientistas se uniram e alertaram a todos sobre os perigos que a humanidade poderia correr, caso a situação permanecesse aquela, com derrubadas, queimadas, poluição, dentre outros malefícios.
A importância da formação de grupos em prol do meio ambiente, muito contribuiu para a humanidade. Foi através deles que hoje temos uma Legislação Ambiental e outros documentos importantíssimos, como o Rio 92, que demonstrou para as pessoas a necessidade de preservar o nosso ambiente, conservando assim a vida de modo geral.
Frente a esta situação, surgiram políticas em prol do meio ambiente, visando a preservação deste e, sobretudo o bem estar humano. O desenvolvimento sustentável é uma dentre as medidas que aderem a esta idéia. Definido por Robert Allen como o “desenvolvimento sustentável requerido para obter a satisfação duradoura das necessidades humanas e o crescimento da qualidade de vida”, essa medida tem dado certo porque apresenta positividade tanto para as empresas, quanto para o meio ambiente, uma vez que garantem um crescimento econômico para as mesmas, sem prejudicar a natureza, e assim, garantindo, assim, um ecossistema favorável futuramente.
Muitos pontos positivos foram alcançados com a prática do desenvolvimento sustentável. Hoje, poluir é crime, e além de pagarem uma multa altíssima, as empresas criminosas ainda ficam com sua imagem denegrida perante a sociedade.
Os empresários aprovaram a idéia, mesmo porque têm muito a ganhar com isso, já que o desenvolvimento sustentável prevê um crescimento econômico, mesmo fazendo uso de recursos naturais; a diferença é que, nisto tudo, há um equilíbrio ecológico, preservando deste modo, o meio ambiente.
O poder econômico explodiu também com os novos conceitos de preservação, tais como a racionalização de energia e a reciclagem, uma vez que o consumo aumenta à medida que se pode reaproveitar o que parecia ser lixo, gerando renda direta ou indiretamente para muitas pessoas.
As empresas, para atingir a sua sustentabilidade econômica e ambiental, precisam estar firmes no combate à poluição, desenvolver produtos rastreáveis que não causarão danos ambientais em seu ciclo de vida, como os enlatados não reutilizáveis, e investirem em uma tecnologia limpa, já prevendo a sustentabilidade do amanhã. Por isso, é necessário um planejamento sério e elaboração de estratégias benéficas. Agindo assim, estas empresas crescerão e aumentarão sua credibilidade diante do mercado.T
Os princípios do desenvolvimento sustentável procuram, sobretudo, gerar nos empresários um ato de conscientização. Infelizmente, para atingir esta consciência, as empresas ainda precisam de uma certa ameaça em suas questões econômicas. Aliás, quem prejudicar a natureza, pagará muito caro por isso. Mas acredita-se piamente que, no futuro, todos irão se unir no combate à destruição do planeta, sem precisar sofrer ameaças, afinal, nossos filhos e netos precisarão de um bom lugar para viver, e saudável, com certeza...

Leitura: uma preocupação nacional


Por Socorro Lira


Muitos autores têm se preocupado com o problema que boa parte dos alunos apresenta com relação à leitura, por isso, estes formulam teorias e estratégias metodológicas, no sentido de contribuir para que o hábito de ler seja uma prática atrativa, prazerosa e que deixe de ser vista apenas como uma obrigação ou como atividade avaliativa.
Embora já se tenha desenvolvido muitas propostas de leitura, com o intuito de contribuir como instrumento para a melhora desta prática, algumas experiências em sala de aula comprovam que, infelizmente, a leitura ainda não é vista por muitos alunos como uma atividade que ultrapassa a sala de aula e que faz parte de uma iniciativa assistemática, isto é, não compreende somente o espaço escolar.
Segundo a autora Irandé Antunes, os alunos apresentam enormes dificuldades de leitura, o que acaba deixando-os frustrados nas atividades pertencentes a outras disciplinas Na maioria das vezes, estes deixam a escola com a certeza de que são incapazes de participar ativa e criticamente daquilo que acontece à sua volta.
Pesquisas realizadas constataram que um número bastante significativo de alunos brasileiros não compreende o que lê, não conseguem relacionar as várias informações que recebem, têm dificuldades em interpretar, em apoiar-se no conhecimento prévio proporcionado pela leitura, e, conseqüentemente, fazer deduções. Diante de todos esses obstáculos, o aluno terá como resultado negativo uma grande dificuldade em se posicionar criticamente frente ao que lê.
A maior preocupação no que se refere à leitura dos alunos está diretamente relacionada com o fato de que a qualidade de vida do cidadão, na sociedade atual, depende do domínio e da competência de leitura.

O exercício físico e o diabetes



Por Jabert Diniz*

São incontestáveis os benefícios adquiridos por todos os indivíduos através do exercício físico, respeitando, suas particularidades e limitações, naturalmente.
Ao longo de sua vida, o homem vai se tornando sedentário, e a atividade física, tão presente no início de sua vida, torna-se cada vez mais rara.
Mas nem sempre foi assim, o homem primitivo, por necessitar ir em busca de alimentos, tinha uma vida bastante ativa, caçando e, posteriormente, cultivando seus alimentos para sobreviver.
Da necessidade de poupar energia, a espécie humana evoluiu e sobreviveram os que melhor se adaptaram. Mas os mecanismos desenvolvidos para esse armazenamento de energia, em forma de gordura, tão importante em tempos remotos, ironicamente, hoje, são responsáveis por uma série de doenças humanas, entre elas o diabetes.
O número de pessoas com diabetes vem aumentando assustadoramente no mundo inteiro e as causas são diversas como o sedentarismo, a má alimentação e também o estresse do dia-a-dia.
O Diabetes Mellitus é uma síndrome metabólica que se caracteriza por um excesso de glicose (açúcar) no sangue (hiperglicemia), devido à falta ou ineficácia da insulina.(...) Durante a digestão normal, o corpo converte o açúcar, o amido e outros alimentos em açúcar simples, chamado glicose. Esta glicose, por sua vez, é conduzida pelo sangue até as células, sendo introduzida no interior destas através da insulina, convertida em energia para utilização imediata ou armazenada para uso futuro. Com o surgimento do diabetes, este processo é interrompido e a glicose acumula-se no sangue, ocasionando a hiperglicemia e parte dela é expelida pela urina, que é chamada de glicosúria. (Halpern, 1984).
Os sintomas do diabetes podem tornar fácil o seu diagnóstico, quando associado com seus sintomas específicos, porém quando esses sintomas não são tão evidentes, são necessários exames laboratoriais para confirmar.
Como sintomas específicos podemos citar: a poliúria (urinar muito), Polidipsia (beber muita água), Polifagia (comer muito), hiperglicemia, Glicosúria, entre outras. No entanto, há os chamados sintomas não específicos como a sonolência, cansaço físico e mental, perda de peso, cãibras e sensações de adormecimento nas extremidades entre outros, que, nesse caso, seriam necessários testes laboratoriais para confirmar o diagnóstico.
No tratamento do Diabetes Mellitus, e isso já foi comprovado por estudos e pesquisas, há alguns pontos básicos como a dieta, exercícios físicos, o uso de insulina ou hipoglicemiantes orais e educação.
Iremos nos ater aos benefícios do exercício físico no controle do diabetes. Como descrevem Costa e Neto (1992 e Cancelliéri (1999), as vantagens mais evidentes são: aumento da capacitação da glicose pelo músculo; aumento da ação da insulina e de hipoglicemiantes orais; captação da glicose no período pós-exercício; ajuda na redução dos fatores de risco cardiovasculares; no aumento do fluxo de sangue muscular e da circulação de membros inferiores, principalmente nos pés, prevenindo os efeitos da aterosclerose; contribui na redução do colesterol e triglicérides no sangue; colabora na redução da pressão arterial leve e moderada; reduz a perda de massa óssea (osteoporose), atuando como fator mecânico na sua reconstituição; melhora a disposição geral e a sensação de bem-estar e também ocorre uma melhoria da tolerância à glicose e do aumento da sensibilidade à insulina, entre outros benefícios.
É importante saber que nenhum profissional detém o monopólio do tratamento do diabetes e sim que vários profissionais, integrados entre si, podem ser muito mais eficientes tanto no tratamento, na prevenção e, quem sabe, futuramente, na cura desta implacável doença.

Referência:
MARTINS, D. M. Exercício Físico no Controle do Diabetes Mellitus

*Acadêmico do Curso de Educação Física da Universidade do Estado do Pará.

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Integração entre as Instituições de Ensino Superior: Ensino, Pesquisa e Extensão


Por Darlen Pimentel, Socorro Lira e Suelen Regina.

Se você já parou para pensar, Santarém é uma cidade universitária. Com aproximadamente 262.721 habitantes (IBGE 2000), a cidade conta com 07 Instituições de Ensino Superior (IES) com uma variedade de cursos, sendo que 03 (três) são instituições públicas e 04 (quatro) são instituições privadas.
As IES de Santarém dispõem de alguns cursos em comum, tanto nas públicas como nas privadas, e outros disponíveis somente em uma ou outra.
É de se esperar que com esse número de universidades na cidade, a comunidade santarena seja muito bem favorecida, uma vez que a função das universidades é promover o conhecimento, para ser usado em benefício de todos. Nessa missão, é necessário que se desenvolva nos cursos de graduação, o ensino, a pesquisa e a extensão.
O ensino tem tido um bom desempenho nas universidades, já que este é o fundamento de qualquer instituição. No que se refere à pesquisa e a extensão todas as instituições de ensino superior de Santarém desenvolvem projetos. Para exemplo, a Universidade Federal do Pará possui aproximadamente 34 projetos, incluindo projetos de pesquisa e extensão. Os projetos de pesquisa somam 18, distribuídos entre os cursos: Biologia, Letras, Pedagogia, Física Ambiental, BSI e Matemática. Segundo o professor Juarez Galvão, Vice-Coordenador da UFPA, “Os projetos de pesquisa e extensão têm trazido um retorno não só acadêmico pela questão do fornecimento de bolsas para os alunos, mas uma prática do conhecimento produzido na Universidade e um retorno para a comunidade.”.
Com relação a este tipo de produção científica em outras Instituições de Ensino Superior de Santarém (IES), a Universidade Estadual do Pará tem um total de 12 projetos de extensão aprovados pelo CCBS (Centro de Ciências Biológicas de Saúde) para o ano de 2007, sendo que os que pertencem ao programa de iniciação científica (pesquisa) ainda estão em fase de aprovação. O professor Dr. José Almir Moraes da Rocha, coordenador da UEPA, explica que os projetos de extensão da instituição trabalham em parceria com a comunidade. Existem trabalhos desenvolvidos com os adolescentes da FUNCAP; com grupo de idosos; outros que têm por finalidade promover ações educativas para adolescentes grávidas; educação em saúde; atividades físicas regular como tratamento da síndrome da fibromialgia; entre outros.
O Centro Universitário Luterano de Santarém (CEULS/ULBRA) desenvolve 32 projetos, 13 são de pesquisa e 19 de extensão. O Coordenador de Pesquisa e Pós-graduação da Instituição, Rubens Nobuo Yuki, afirma “que os projetos desenvolvidos têm um caráter social, não assistencialista, mas que permite um pouco de inclusão social”. Um exemplo é o Projeto Puraqué: inclusão digital e cidadania, que oferta para as pessoas de baixa renda curso de informática básica e informações sobre o contexto social atual para transformar em conhecimento.
O Instituto Esperança de Ensino Superior (IESPES) tem desenvolvido com maior freqüência projetos de extensão. No que se refere à pesquisa, “ainda está num estágio inicial”, afirma a Coordenadora do Programa de Extensão Universitária, Mylene Serruya.
Embora algumas instituições de Ensino possuam cursos afins, o intercâmbio dessas, através dos projetos de pesquisa e extensão, ainda é carente. A maioria desenvolve estes trabalhos interdisciplinares de maneira restrita aos cursos da própria Instituição, com apoio de entidades governamentais ou não, tendo como objetivo principal o benefício da comunidade santarena. A divulgação desses projetos é pouca, apenas é feita fora da Instituição para um público específico, muitas vezes como forma de aplicação do projeto. A integração das IES só é vista através de palestras, mini-cursos ou em eventos que servem de base para a ampliação do conhecimento a pessoas interessadas no tema proposto.
O que se pode verificar é que não há uma integração consolidada entre as IES, mas pode-se considerar que algumas parcerias vêm buscando esse intercâmbio entre as Instituições. O Fórum das Instituições de Ensino Superior de Santarém vem fortalecendo a parceria de todas as IES comprometidas, além da presença de outras Instituições convidadas e representantes de órgãos públicos ligados às águas. Promovendo num sistema de rodízio, encontros acadêmicos entre as seis Instituições de Ensino Superior de Santarém (FIT, UEPA, UFPA, UFRA, CEULS/ULBRA e IESPES) reunidas e vinculadas, por meio de suas coordenações de pesquisa.
O Fórum das IES de Santarém é um grande exemplo de que a somatória de informações, debates, do conhecimento de pesquisadores com suas especialidades e participação dos acadêmicos, promove a melhor qualificação dos profissionais da região. Pois, com a firmação desse intercâmbio entre as IES, “iríamos agregar muito mais valores, pois a informação tem uma abrangência bem maior quando há essa integração”, cita Mylene Serruya.
O fator positivo desse comprometimento com a sociedade e do esperado com a integração das Instituições de Ensino Superior de Santarém, através dos projetos de pesquisa e extensão, é visto pelos coordenadores das IES, como algo necessário e ainda muito “tímido” numa cidade que por muitos é considerada um “Pólo Universitário”. Rubens Nobuo Yuki, vê como “positivo nós termos essa integração, independente da questão de ser uma instituição pública, particular, o objetivo de todas é melhor qualificar os profissionais na região e contribuir com o desenvolvimento regional”.
Para o professor Dr. José Almir Moraes da Rocha, pode-se constatar “que hoje a maioria das Instituições de Ensino Superior, que estão instaladas em nossa cidade, normalmente não conseguem caminhar sozinhas, principalmente quando se fala em pesquisa”, partindo dessa idéia de integração, “quando se unem forças é muito mais fácil conseguir esses projetos. Assim, com um projeto financiado, acaba-se trazendo recursos para todas as Instituições envolvidas”.
Para que essas parcerias interinstitucionais venham a acontecer, a princípio se deve buscar atrelar as IES, com cursos afins, através dos seus projetos de pesquisa e extensão, ou proporcionar aos acadêmicos ou até mesmo à comunidade interessada, palestras, debates como os que vêm acontecendo no Fórum das Instituições de Ensino Superior de Santarém. Dando importância no tratamento não só da temática da água, “mas também expandir para outros campos de discussão”, diz Juarez Galvão.
Espera-se que esses encontros de estudo e debates, voltados para a divulgação científica, e os projetos de pesquisa e extensão, tornem-se instrumentos de integração entre as instituições, trabalhando de forma compromissada com a sociedade, para que se perceba “que as IES não estão aqui para competir, pelo contrário, estão para somar conhecimentos”, conclui José Almir.

Oeste do Pará na luta pelo Novo Estado



Por: Aulenice Ferreira e Paula Galvão

A criação do Estado do Tapajós é o grande desejo da população do Oeste do Pará, isso não é uma idéia nova, tudo começou em 1876, quando o militar Augusto Fausto de Sousa propôs uma nova divisão do Império, a qual visava a criação da Província do Tapajós, tendo como objetivo a garantia da soberania brasileira na Amazônia e a busca pelo desenvolvimento econômico e social do Norte do Brasil. Seriam criadas 40 províncias, dentre elas a Província do Tapajós. É um sonho de mais de 150 anos e, de lá pra cá tem-se alcançado grandes conquistas. Estamos perto da realização deste grandioso sonho.
Existem, ainda, alguns empecilhos que prejudicam o andamento da fundação da Unidade Federativa, um deles é a falta de informação de pessoas, que, muitas vezes, influenciadas por outras, deixam de acreditar que com o Novo Estado poderá trazer grandes benefícios para a Região Amazônica e para o Oeste do Pará.
Hoje, vários são os motivos para a sua criação dentre elas temos: a falta de representatividade do poder público em áreas isoladas como o Oeste do Pará; o Novo Estado é muito mais do que um projeto político é um projeto que visa o desenvolvimento estratégico de segurança nacional, econômico e social, no Norte do Brasil. Além disso, o futuro do Estado do Tapajós, na prática, já se constitui uma unidade com vida própria e auto-suficiência .
Grandes serão as mudanças e benefícios para a região. Somente a área territorial abrangerá 58 municípios, numa área de 722.358 Km2 (58%), com uma população de 1.305 mil habitantes, o equivalente a 16% da população do Estado do Pará e com uma densidade demográfica de 1,81 hab/Km2 . Além do crescimento geográfico, a região ganhará também mais investimentos nos mais diversos setores: educação, saúde, infra-estrutura, segurança e projetos nos planos econômico e social.
Nos últimos 17 anos, várias conquistas foram alcançadas,as principais delas foram: a aprovação do projeto pelo Senado em 2000, por unanimidade, a aprovação na Comissão de Constituição e Justiça. Agora, busca-se o Plebiscito para a criação da Unidade Federativa do Estado do Tapajós, que segundo Edivaldo Bernardo, presidente do Movimento da Frente Popular pela criação do Novo Estado, deverá ser votado ainda em agosto deste ano.
A criação do Estado do Tapajós trará inúmeras vantagens tanto para a população do Oeste quanto para as demais regiões do Pará. A primeira delas está relacionada à distribuição dos recursos, como diz Edivaldo Bernardo: “o Fundo de Participação do Estado (FPE), registra atualmente para o Estado do Pará cerca de 123,25 milhões mensais para investir em toda a região paraense; com o novo estado, nós, da Região Oeste, ficaremos com 69,6 milhões e o Pará ficará com 107,3 milhões em seus cofres públicos. Em compensação, o Pará, que hoje investe em 143 municípios, passará a investir em 118, porém com muito mais recursos. Na verdade, todos têm a ganhar; o que está faltando é informação, principalmente para aqueles que são contra a criação do novo estado; quando eles souberem que eles próprios têm muito mais a ganhar, mudarão de idéia”. Edivaldo ressaltou ainda que, no tocante a estes recursos, toda a Região Norte do país terá ganhos, principalmente econômicos, uma vez que serão gerados aproximadamente 200 mil empregos diretos e indiretos, contribuindo, assim, para o desenvolvimento sócio- econômico do Norte do País, e não somente da Região Oeste do Pará, com se pensa. “Se você cria um estado, só da parte do poder público, são 65 mil funcionários distribuídos em prefeitura e outros órgãos públicos, somados a outras empresas privadas que terão que dar emprego para muitas pessoas, com isso aumentam os serviços e aí se precisará de muita gente para trabalhar. E isso não é uma promessa política, afinal, o estado não pode ser criado sem ter funcionários para viabilizar a sua administração. È algo que vai ocorrer de fato”.
Outra vantagem bastante significativa estará no PIB (Produto Interno Bruto): O Estado do Tapajós será o quarto na lista dos PIBs dos Estados da Amazônia, com R$ 5.173 Bilhões, ficando à frente dos Estados de Tocantins, Amapá, Acre e Roraima. Edvaldo faz lembrar, ainda, que o PIB é exatamente toda a riqueza do estado e acrescenta: “o Novo Estado já nascerá rico e poderoso”.
Quanto à representatividade política, o Estado do Tapajós ficará com um governador, três senadores da república , oito deputados federais e uma bancada estadual de 28 representantes dos diversos municípios. Tudo ficará mais fácil, uma vez que o centro de decisão estará mais próximo do povo e não tão longínquo como atualmente.
Com a criação do Estado do Tapajós, a capital possivelmente será sediada em Santarém, pelo seu tamanho e acesso aos demais municípios. Questionado sobre o desenvolvimento educacional na capital do Novo Estado, Edvaldo diz que no nível universitário, muitos pontos positivos serão alcançados: as atuais universidades públicas, como UFPA, UFRA e UEPA deixarão de ser apenas campi do interior, e se tornarão Universidades matrizes, o que significa muitas melhorias na infra-estrutura, diversidade de cursos de graduação (com ênfase nas necessidades da região), além de programas de pós-graduação, como mestrado e doutorado. A Universidade Federal do Oeste do Pará, por exemplo, terá muitas vantagens sendo sediada em uma capital, e como se pode esperar, esse desenvolvimento também se refletirá nos demais municípios integrantes do Novo Estado; alguns campi da Região Oeste não dispõem nem ao menos de um prédio próprio para o funcionamento da UFPA, precisam estar instalados em escolas públicas dos municípios, como é o caso de Itaituba.
Para a Criação do Novo Estado, muitas medidas estão sendo tomadas a fim de agilizar este processo, como a campanha de arrecadação de 500 mil assinaturas nos municípios da Região Oeste, a serem levadas à Câmara dos Deputados e ao Senado Federal, com o intuito de promover a rapidez na aprovação do Plebiscito em prol do Estado do Tapajós. Para isso, uma equipe está andando de casa em casa na busca de recolhê-las; outras assinaturas serão recolhidas em lugares públicos, como restaurantes, igrejas e escolas, além da Internet, no site www.novoestado.com.br. Edvaldo acredita que, com essas assinaturas, o Senado Federal deverá aprovar o Plebiscito de forma mais rápida: “Não é possível que eles não respeitem a vontade de 500 mil pessoas” - complementa. Outra medida em prol do Novo Estado está sendo a distribuição de panfletos e adesivos para carros e motos, e a comissão organizadora conta com o apoio de toda a população para que esta campanha seja efetivada com sucesso. Caso tudo venha a ocorrer como é o esperado, o Plebiscito deverá ser aprovado em agosto, pronto a ser executado. As entrevistas promovidas pelos sistemas de comunicação, assim como os debates sobre a Criação do Novo Estado, também são elementos positivos para propagar o assunto e informar à população que a criação de mais um estado, sobretudo na Região Oeste do Pará, só trará ganhos para todos.
Assim, é preciso que as pessoas tomem consciência de que a criação do Novo Estado trará benefícios para nossa Região, e não se deixem influenciar por pessoas e políticos que não concordam e não querem o desenvolvimento do Oeste do Pará. Vale ressaltar que a Região Norte do Brasil ganhará muito mais do que investimentos e crescimento, mas também autonomia e prestígio no âmbito nacional. Agora, só nos resta querer e lutar por isso.

O melhor da poesia santarena em Felisbelo Sussuarana

Por: Sâmela Ramos


“Meu nome é Felisbelo, um nome raro
que muito diz e não revela tudo;
mas, por capricho do destino rudo,
belo não sou nem sou feliz, é claro...”
Felisbelo Sussuarana



Quem são as estrelas da poesia santarena que tiveram seu brilho ofuscado, não por falta de talento, mas por falta de reconhecimento? Tantos! Com certeza você conhece algum deles, talvez não por sua obra artístico-literária, mas porque seus nomes estão em ruas e escolas de nossa cidade. Felisbelo Jaguar Sussuarana é um deles. Nasceu em 1891 em Santarém, filho de Alexandre Alves Sussuarana e Filomena Nóvoa. A cidade naquela época, tinha uma população de 3000 pessoas. Nesta Santarém, que vivia ainda os influxos da borracha, Felisbelo Sussuarana foi poeta, espalhando suas produções literárias pelos semanários que circulavam pela região, do qual também foi criador do “A cidade” e “Jornal de Santarém”. Nestas edições a poesia estava sempre presente, mostrando-nos o gosto pela atividade artística na cidade, que também florescia na música, basta falar de nomes como Wilson Fonseca( Maestro Isoca). No livro Tupaiulândia, Paulo Rodrigues dos Santos, fala sobre ele: “...se tivesse vivido em meio mais adiantado, os conterrâneos teriam orgulho de ver seu nome nas antologias nacionais”.
Os recursos financeiros impediram que muitas obras do poeta ganhassem a dimensão que deviam, por isso projetos como: “Claro-Escuro”, “Versos Perversos” e “Musa Caipira”, nunca foram publicados. Muitas de suas produções perderam-se em cadernos e borrões, consumidos pelo tempo, mas ainda podemos encontrá-las em jornais da época, que já estão quase desfazendo-se na Biblioteca do Instituto Bonerges Sena. Felizmente, sobre o poeta, temos um ensaio publicado em 1991, ano em que se comemorou seu centenário, “O Mergulho de Felisbelo Sussuarana, no CLARO-ESCURO do homem e da obra”, de autoria de seu filho Felisberto Sussuarana. O artista santareno, escreveu também para o teatro, como a revista: “Olho de Boto”, encenada no antigo Teatro Vitória, contando com a participação de Wilde Fonseca, e outros. O musical e a orquestra estavam sobre a direção do maestro Wilson Fonseca, e a peça estreou em 19 de julho de 1936.
A riqueza e vastidão de suas obras literárias foram relegadas ao esquecimento e abandono, sem valorização, reconhecimento e conhecimento. O poeta foi e é o reflexo da grandiosidade do poeta santareno, amante da liberdade de expressão e da graciosidade temática, aquele que não fala da terra com ufanismo, mas com amor e veneração dignos de um filho. Ele representa o fulgor da poesia santarena. Agora sabemos que em nossa história literária tivemos, e ainda temos, nomes que poderiam estar no cenário nacional, divulgados, lidos e apreciados. Infelizmente, ficamos devendo à sociedade e ao grande público, amante de literatura, a digna edição das obras deste mestre, que mesmo sem reconhecimento, fez seu nome, e mesmo que muitos não o conheçam, ele, de alguma forma, estará presente nas lembranças daqueles que o conheceram, e também daqueles que acabaram se apaixonando pela sua grandiosidade literária, que faz parte do melhor da poesia santarena.